Entenda por que crianças e adolescentes autistas são alvos mais frequentes de violência escolar e saiba como agir para garantir segurança e respeito
A vulnerabilidade de quem vive com o autismo
O autismo ainda é alvo de muito preconceito e desinformação, especialmente dentro das escolas. Crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam desafios sociais que podem torná-los mais suscetíveis ao bullying.
A dificuldade em interpretar expressões faciais, ironias ou regras sociais faz com que, muitas vezes, esses alunos sejam mal compreendidos pelos colegas. Além disso, comportamentos repetitivos ou reações intensas a sons e luzes podem ser ridicularizados. Sem o devido apoio, o ambiente escolar pode se transformar em um espaço de sofrimento, com impactos diretos na autoestima e no desempenho escolar.
Os sinais de que algo está errado
Nem sempre o bullying contra pessoas com TEA é fácil de identificar. Muitas vítimas não conseguem expressar claramente o que estão sentindo ou temem represálias. Por isso, pais e professores precisam estar atentos a mudanças bruscas de comportamento.
Entre os sinais mais comuns estão o isolamento repentino, a recusa em ir à escola, crises de ansiedade, distúrbios do sono e até alterações alimentares. Em casos mais graves, podem surgir sintomas de depressão e queda significativa no rendimento escolar. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para agir rapidamente e evitar que o problema se agrave.
O papel essencial da escola na prevenção
As instituições de ensino têm responsabilidade direta na prevenção e no combate ao bullying. Programas de conscientização sobre inclusão e diversidade devem fazer parte do projeto pedagógico. A presença de profissionais preparados — como mediadores e psicopedagogos — é fundamental para garantir um ambiente seguro.
A escola precisa ensinar os alunos a respeitar as diferenças e agir imediatamente diante de qualquer situação de violência. A criação de rodas de conversa, projetos colaborativos e palestras educativas ajuda a promover empatia e reduzir o preconceito. Quando o tema é tratado de forma contínua, a convivência melhora e os episódios de bullying diminuem.
A força da família e da comunicação
A proteção começa em casa. O diálogo aberto e o fortalecimento da autoconfiança da criança ou do adolescente com autismo são essenciais. É importante explicar, de maneira acessível, o que é o bullying e mostrar que ninguém tem o direito de humilhar ou excluir o outro.
Pais e responsáveis devem manter contato constante com a escola, acompanhando a rotina e observando sinais de desconforto. Quando o filho sabe que será ouvido e apoiado, ele se sente mais seguro para relatar qualquer situação. A rede de apoio familiar é, portanto, um escudo fundamental contra o medo e a solidão.
O que fazer diante de um caso de bullying
Ao identificar uma situação de bullying, a família deve registrar o ocorrido e procurar imediatamente a direção da escola. A denúncia formal é importante para garantir providências e acompanhamento. Se o problema persistir, é possível acionar o Conselho Tutelar, o Ministério Público ou órgãos de defesa dos direitos da pessoa com deficiência.
Também é recomendável buscar apoio psicológico para a vítima, a fim de minimizar os danos emocionais. Em paralelo, os agressores precisam receber orientação e acompanhamento, pois a solução deve envolver conscientização, e não apenas punição.
Promover empatia é o caminho mais eficaz
Proteger uma criança com autismo do bullying não significa isolá-la, mas promover empatia e convivência saudável. Ensinar desde cedo o respeito às diferenças é o único caminho para reduzir casos de violência.
Quando a sociedade entende que o Transtorno do Espectro Autista não é sinônimo de limitação, e sim de diversidade, todos ganham. O desafio é coletivo: escolas, famílias e comunidade precisam agir juntas para construir um ambiente mais justo, seguro e inclusivo.
Fontes:
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — informações sobre autismo e comportamento social.
- Ministério da Educação (Brasil) — políticas de combate ao bullying e promoção da inclusão escolar.
- Lei nº 13.185/2015 — que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying).
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — diretrizes sobre inclusão de pessoas com TEA.
- UNICEF Brasil — campanhas sobre segurança, empatia e prevenção da violência escolar.



